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Relacionamentos na era digital

Autor: Henrique Pagnoncelli
Fonte: Jornal Santa Catarina - publicado em 24/03/2016

A era digital conferiu uma compreensão limitada do verdadeiro significado da palavra conexão. Não bastasse esta visão reducionista, estes novos tempos banalizaram este significado. Basta acessar a internet das mais diversas formas para que estejamos conectados com alguém ou um grupo de pessoas. É esta "conexão" que observamos  nos mais diversos cenários: ruas, praças, lojas, dentro dos carros, em casa. Diante de outra pessoa, muitas vezes estamos "conectados" com redes sociais, games, isolados nesta contemplação do que o outro naquele espaço virtual manifesta ou representa. Pouco se sabe deste outro. Pode ser um parente distante, amigo dos tempos de escola ou um novo amigo ou amiga do face. Nossa relação com este outro pode se limitar a curtidas em seu perfil. Diante dos desafios do dia a dia e nossas tantas atribuições, recorremos ao Whatsapp para "dar um toque" sobre qualquer coisa que nos pareça relevante. Conexão, entretanto, é algo extremamente diferente. Para que haja uma conexão profunda com o outro, tenho que me conhecer e portanto conectar-me comigo mesmo. Implica em conhecimento e vinculação com o que identifico em mim e no outro. As relações virtuais flutuam num espaço vago e superficial onde podemos dizer que existe a mera comunicação. Que precisa ser entendida, decodificada e principalmente, ocorrer no clássico "face to face." Só assim me conecto ao outro. Com a atenção voltada para seus celulares muitos de nós emitem julgamentos, iniciam e findam relacionamentos amorosos, concretizam e encerram negócios, começam uma amizade e depois a excluem de suas vidas bloqueando o facebook. E há quem migre um relacionamento que já foi muito real para o terreno arenoso virtual. O que era uma relação entre duas pessoas, seja familiar ou de uma amizade construída ao longo de uma vida, passa a ocorrer, por exemplo, em uma rede social, nos breves intervalos de um dia de trabalho. Os diálogos inbox são curtos e sempre carregados de símbolos, os emoticon- ilustrações que representam nosso ânimo ou ainda traduzem sentimentos, entre eles, um dos mais banalizados, o "eu te amo." Os efeitos deste comportamento em nossas vivências ainda não podemos mensurar, mas seguramente podemos afirmar: ao conectar-se ao outro por uma tela preferindo as limitações e distorções da comunicação digital, nos afastamos de uma relação real. Encarar a responsabilidade de um relacionamento parece que virou coisa para corajosos. E quando esta conexão é conosco, muitos praticam a autossabotagem. No mundo digital, se pode ser qualquer coisa.   E por que não ser você com todas as consequências que este SER possam desencadear? Relacionar-se digitalmente é inevitável nestes novos tempos. Mas que se some à vida, o encontro comigo, as descobertas de minha história e minhas raízes emocionais, a escolha pelo caminho do auto conhecimento. Então este ser que sou agora reconhecido está pronto a conectar-se de verdade com o outro. Que tal o bom e velho bate papo? Quanta coisa o contato, o olho no olho, nos revela. Reserve seu tempo para os grandes encontros em tempo real. Que as ferramentas digitais sejam abreviações do que fazemos no dia a dia e nunca absorvam todo nosso dia. Os relacionamentos reais exercem uma importância fundamental em nossas vidas. Os saudáveis edificam pontes, enquanto os destrutivos nos isolam de nós mesmos.   

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