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Por que devo me autoconhecer?

Autor: Flávio Bastos
Fonte: Somos Todos Um

Certa vez, Albert Einstein registrou uma frase que mexeu com a comunidade científica: "A mente que se abre a uma nova ideia, jamais voltará ao seu tamanho original". Na época, muitas pessoas de seu círculo científico, devem ter ficado perplexas com tal afirmação. E mesmo hoje, em pleno século 21, muita gente ainda deve se perguntar: O que o gênio da Física quis dizer com aquela frase? 

Einstein não professava nenhuma religião, mas acreditava na existência de um Deus cósmico, fruto de seu espírito desbravador e mente incrivelmente expandida: "Quando abro a porta de uma nova descoberta já encontro Deus lá dentro".

É provável que tenha sido com a imagem internalizada do Criador, associada à intuição da existência de Leis Universais (sua visão cósmica), que Einstein registrou sobre o comportamento humano: "Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor bênção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É nas crises que nascem as invenções, as descobertas e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar superado. Quem atribui a si seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que às soluções. A verdadeira crise é a da incompetência. O inconsciente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e as soluções fáceis. Sem crise não há mérito. É na crise que aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, é calar-se sobre ela, é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la".

O comportamento é a forma como nos apresentamos para a vida, ou seja, a expressão de nossos sentimentos, pensamentos, emoções e maneira de ser que envolvem nossos atos no cotidiano da existência. O comportamento, portanto, é a nossa imagem projetada no convívio sócio-familiar. 

Tendências comportamentais são vícios que carregamos conosco há séculos. São características individuais que interferem negativamente na evolução consciencial, pois paralisa o espírito num estado de coisas prejudicial ao livre fluir do autoconhecimento. Viver -e morrer- com vícios comportamentais, afastam pessoas e situações que poderiam acrescentar e atraem outras que afinizam com a energia que emitimos. Representa uma perda de tempo para o ser inteligente dotado de imensa capacidade de expansão da consciência.

Não nascemos por acaso e não viemos ao mundo por um descuido da natureza. A nossa jornada na dimensão física tem um significado que transcende em muito as nossas incompreensões e dúvidas a respeito da existência. Se quisermos crescer com a oportunidade concedida, resta-nos perceber o momento vital para encaminharmos progressivamente as mudanças de atitudes das quais necessitamos. Caso contrário, permaneceremos conformados, céticos, alienados ou indiferentes, vendo a vida passar através de uma limitada visão sobre si mesmos. Erradicar vícios comportamentais pelo processo de autoconhecimento é dever de quem luta para libertar-se das atávicas acomodações que interferem negativamente na evolução do espírito.

Nesta lógica, o contexto vital que interfere no fluxo do crescimento é uma expressão de nossas queixas existenciais, de nossas dores psíquicas intermináveis que definem o nosso nível -ou experiência- de sofrimento. Sintomas que revelam-se em forma de patologias do corpo e da alma, cuja tendência, se não houver "algo novo" que interfira neste estado de coisas existencial, é permanecer atuando inconscientemente nas vidas futuras.

Portanto, vícios de comportamento ou traços de caráter que comprometem o fluir evolutivo e causam transtornos às sucessivas experiências corpóreas do ser inteligente, só podem ser alterados se o indivíduo conscientizar-se que precisa modificar um padrão de característica predominantemente negativa que o acompanha há muito tempo.

No entanto, o estímulo sem a ação propriamente dita, não realiza aquilo que intimamente é uma intenção. E a intenção começa a ser realizada à medida que damos o primeiro passo na jornada do autoconhecimento, quando estaremos diante do maior de nossos desafios: transformar, pelo processo de conhecimento das origens de nossos problemas, vícios ou tendências negativas em atitudes positivas, enobrecedoras que elevam o espírito.

Nesta direção, a autodescoberta iniciada pelas mazelas da vida atual que provocam desconforto psíquico, físico ou emocional ao indivíduo, cuja sintonia pode estar na infância, em conexão com uma ou mais de uma vida passada. Situação que revela em seus bastidores o quanto estamos aprisionados em nós mesmos.

Neste sentido, duas inteligências privilegiadas, mas que viveram em épocas distintas, expressam em poucas palavras aquilo que devemos providenciar na prática de nossa transformação interior.

"Estude a si mesmo, observando que o autoconhecimento traz humildade e sem humildade é impossível ser feliz". (Allan Kardec)

"Uma vez que nós aceitamos os nossos limites, vamos além deles". (Albert Einstein)
 


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