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Terapia de vidas passadas (memórias profundas)

Autor: Valéria Bastos

É cada vez mais frequente a busca da Terapia de Vidas Passadas (memórias profundas) para solucionar problemas e ampliar a compreensão de si mesmo. Essa abordagem psicoterápica surpreende pelos resultados e brevidade de tratamento. O fato de não usar hipnose nem exigir crenças específicas, deixa as pessoas à vontade para abordar o assunto e se abrir para o processo de cura.
O método permite acessar e vivenciar memórias subconscientes e inconscientes, desde o período entre vidas, intrauterino, nascimento, vida atual e passada. é possível descobrir as raízes daquilo que causa sofrimento hoje: problemas de natureza pessoal, interpessoal, transpessoal, psíquica, emocional, anêmica, comportamental, social, física ou espiritual, gravados como registros mnemônicos, afetos, traumas, crenças, sentimentos desarmônicos e ativados por complexos que influenciam a personalidade atual.Situações frequentemente resistentes às terapias tradicionais são reveladas e compreendidas neste escopo de trabalho mais abrangente. Com esse maior campo de investigação, a terapêutica conduz o paciente a perceber os traumas gravados no inconsciente que geraram padrões repetitivos em outras vidas, influenciando a personalidade atual que se encontra, muitas vezes, absorvida pela compulsão de recriar suas feridas. Para quebrar esse círculo é necessário liberar os conteúdos traumáticos, desligar-se das gravações inconscientes, tratar os registros impregnados no corpo e reintegrar à psique novas referências ao antigo padrão.
Cada terapeuta adota um conjunto de técnicas que pode contemplar a regressão de memória, cromoterapia mental, catarse de conteúdos traumáticos, indução mental, estados de ego, exploração da aura, integração da personalidade, vidas futuras, relaxamento, espelhos, dentre outras. A combinação devida das técnicas possibilita tratar personalidades passadas, revelar o propósito de vida, liberar emoções, energias reprimidas ou somatizadas, tratar e encaminhar energias intrusas, transmutar energias da aura, recompor corpos e completar assuntos inacabados. Jung dizia: "O funcionamento da psique se baseia no princípio da oposição entre os elementos contrários e que, a tarefa do homem no caminho de individuação é unir os opostos". Os elementos contrários são os "eus", personalidades múltiplas e subpersonalidades, passíveis de tratamento terapêutico eficiente.
Diversos autores abordam a Terapia de Vidas Passadas de maneira distinta e usam técnicas variadas. Por exemplo, o Dr. Morris Netherton enfatiza o período intrauterino e nascimento e procura reviver cada emoção e sensação experimentada nessa fase. O Inglês Roger Woolger adota Freud, Jung, Reich, Psicodrama, Psicologia Espiritual, Tradições Xamônicas e o trabalho com corpo, mente, emoções e espírito. Para Hans TenDam o contato com os conteúdos inconscientes devem produzir limpeza, catarse, liberação e assimilação. No Brasil, J.S. Godinho considera as vidas passadas como personalidades múltiplas que fazem parte do bloco psíquico da personalidade atual e evidencia a necessidade de harmonizar e reeducá-las, uma vez que, como vidas passadas, continuam atuantes, influenciando a vida atual.
A Terapia de Vidas Passadas (memórias profundas) pode solucionar, de maneira muito eficiente, problemas de trauma, medo, enxaqueca, fobia, angústia, depressão, ansiedade, dor, úlcera, asma, dependência química, vergonha, orgulho, inveja, soberba, melindre, irritação, inadequações sexuais, sociais e psíquicas, entre outros. Por acreditar nisso, muitos profissionais dedicaram-se ás pesquisas e experimentos científicos, que hoje fundamentam a cura experimentada por muitas pessoas, que conseguem integrar seus vários "EUS", como numa espiral. 
Dúvidas frequentes:
Qual a duração do tratamento?
Um processo terapêutico sério demanda tempo, especialmente para rever conteúdos passados, muitas vezes desarmônicos e infelizes, e compreender que atuamos a partir de complexos reproduzidos compulsivamente pelo psiquismo, ao longo da história da humanidade. Comparada às outras técnicas terapêuticas, a TVP (memórias profundas) é objetiva, abrangente e rápida, uma vez que os conteúdos trabalhados vão além das criações do ego, tanto do terapeuta, quanto do paciente, nas extensas conversas analíticas. Um tratamento bem feito, com início, meio e fim varia entre 6 e 20 sessões (de 2 horas cada), de acordo com cada caso. Assim, é possível trabalhar em diversos níveis da consciência e elaborar a estruturação da personalidade de maneira consistente. As primeiras sessões são dedicadas à investigação das situações desarmônicas do passado que mais afetam a vida atual e compreensão das causas geradoras das desarmonias e dos problemas. As últimas são dedicadas às correções de antigos padrões e substituição por ideias de reconstrução, equilíbrio e saúde; é integração e elaboração de novos objetivos e decisões que estejam alinhados ao planejamento original dessa vida e rever processos encarnatários bem sucedidos. A duração também depende da complexidade dos temas, da capacitação do terapeuta, das técnicas utilizadas, do desejo e comprometimento do paciente com seu processo de autoconhecimento e reformulação interna e da necessidade de aprendizado. No entanto, situações simples podem ser bem resolvidas em apenas uma sessão.
Todos os pacientes conseguem regredir?
Alguns pacientes não regridem, da mesma forma que também não têm sucesso com outras abordagens terapêuticas. Cada pessoa se adapta a um trabalho de forma particular. Mesmo que não haja uma regressão completa, outros recursos como imaginação ativa, desdobramento e estados alterados de consciência e o atendimento de personalidades intrusas podem ser adotados pelo terapeuta o que resulta em movimentação da energia estagnada e liberação dos conteúdos, trazendo resultados, considerável melhora dos sintomas e até rápida cura do distúrbio.
Algum requisito para se fazer a Terapia de Vidas Passadas (memórias profundas)?
O principal requisito é a intenção de mudar, rever conceitos, liberar-se padrões limitantes e apropriar-se do processo de autoconhecimento e crescimento. Não é aconselhável buscar a TVP (memórias profundas)  motivado pela curiosidade e, sim, pela necessidade de tratar o que, aparentemente, não tem explicação no contexto da vida atual.
A Terapia de Vidas Passadas (meórias profundas) é arriscada?
Como qualquer outro atendimento, a Terapia de Vidas Passadas (memórias profundas) oferece risco se for conduzida por profissional não qualificado, sem curso de especialização, experiência ou boa técnica. A pessoa pode ficar com questões abertas, não elaborar uma catarse ou trauma por completo ou ainda, não compreender o que aconteceu realmente. Como nas sessões ocorrem situações de naturezas distintas: distúrbios mediúnicos, personalidades passadas desarmonizadas, obsessores ou lembranças traumáticas de passado, é importante buscar um terapeuta qualificado, inclusive com alguma prática no campo mediúnico, para que conheça a diferença entre esses sintomas e saiba conduzi-los adequadamente. Pacientes cardíacos, gestantes, psicóticos, agressivos, esquizofrênicos devem evitar esse tratamento.
Algum risco de voltar a ser influenciado pelas situações do passado?
Ao entrar em contato com a memória e compreender o contexto em que ela ocorreu, o paciente percebe que os sintomas decorrentes da experiência não fazem mais sentido para ele na vida atual e, sim, para o personagem que o vivenciou. Uma análise crítica, inteligente e lógica, feita pelo paciente, o auxilia a compreender o processo de cura e perceber que a identificação com a antiga personalidade não faz mais sentido e assim, deixa de ser conduzido por estímulos, de maneira compulsória. Por exemplo, se um paciente tem muito medo de armas de fogo acessa a sua história como um personagem que foi morto com um tiro, para quem fazia total sentido esse problema ou trauma, ele perceberá que tudo o que o personagem vivenciou não precisa mais ser alimentado por ele nem atualmente e não se justifica estar preso a essa situação. Ao reviver e refletir sobre a experiência, o paciente amplia a consciência e a compreensão do conteúdo adormecido no inconsciente. O trauma é diluído, embora permaneça a lembrança da experiência vivida e o aprendizado que dela decorreu. O paciente se cura do pânico na medida em que não mais se identifica com a antiga personalidade. Neste caso, se confirma a máxima do Cristo que diz: "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará".
É preciso acreditar em reencarnação?
Não é necessário acreditar em reencarnação ou praticar qualquer doutrina espiritualista específica. Basta vontade e determinação do paciente em se conhecer e aceitar suas memórias pretéritas. Mesmo sem uma crença específica, as pessoas regridem naturalmente. Com a melhora dos sintomas e o sentimento de que conteúdos acessados parecem reais e não fruto da imaginação ou indução do terapeuta, as concepções podem mudar, ainda que o paciente permaneça fiel à sua crença ou religião.
Por que optar por essa Terapia ao invés de tratamento médico convencional?
Apesar do avanço da medicina, a saúde não se restringe ao nosso corpo físico, pois as doenças psicossomáticas começam num outro nível, num determinado corpo mais sutil, dentre os 7 corpos energéticos que temos. Não se resolve todos os enigmas que envolvem o equilíbrio e a saúde do ser humano apenas tratando do corpo. É preciso ir além e estudar os aspectos psíquicos e espirituais e essa técnica terapêutica pode resolver muitos casos ou situações que a medicina não consegue solucionar.
Qual a difereça entre TVP (memórias profundas) e a hipnose?
A hipnose é uma técnica diferente, pois quando o paciente é hipnotizado fica mais vulnerável é sugestão do hipnotizador e mais sonolento. Na TVP ou regressão, o paciente permanece consciente, acata as sugestões do terapeuta se quiser, se achar que faz algum sentido e lembra-se dos conteúdos ao terminar a sessão. Também são acionadas áreas diferentes do cérebro: na TVP (memórias profundas), o lobo médio temporal; na hipnose, o lobo parietal; na imaginação ou fantasia, o lobo frontal; em sono natural, regiões do bulbo, ponte e cerebelo.
Algum requisito para se fazer uma Terapia de Vidas Passadas (memórias profundas)?
É aconselhável buscar um recurso terapêutico profundo como a TVP (memórias profundas) motivado pela necessidade e propósito sinceros de tratar o que aparentemente não tem explicação no contexto da vida atual, curar algum aspecto doentio, mudar comportamentos, sentimentos, atitudes, projeto de vida e assumir o ônus dessa mudança. Portanto, a curiosidade vazia não faz sentido no escopo deste trabalho. Como a TVP (memórias profundas) também é uma ferramenta de autoconhecimento, pode ser conduzida com objetivo de conhecer o projeto de encarnação da vida atual. Ao optar pelo processo regressivo, é preciso ter em mente que a ampliação da consciência também implica em profunda revisão de conceitos e visão de mundo e, consequentemente, mudança de atitudes e reformulação interna.
A TVP (memórias profundas) é considerada eficaz como tratamento terapêutico?
Sim. Em alguns casos, mais eficaz do que outros atendimentos terapêuticos em função da abrangência e do alcance. Como o paciente acessa conteúdos da memória inconsciente e subconsciente, tem a oportunidade de compreender a origem e causa das desarmonias atuais, revisar histórias do passado que ficaram inacabadas, liberar cargas traumáticas somatizadas nos corpos sutis (físico, emocional e mental) e o mais importante, dar um novo significado à experiência. O quantum energético gerado no passado reverbera ainda hoje. Assim, ao colocar para fora aquilo que ficou aprisionado, por meio da catarse, a energia desarmônica é diluída e equilibrada. A revisão das crenças e padrões repetidos possibilita integrar a personalidade passada à atual, ancorar o poder e deixar de ser controlado por emoções desequilibradas.
Quais são os benefícios?
O paciente tem contato com ancestrais e mestres que auxiliam o trabalho e a compreensão do processo terapêutico. é possével rever seu programa de vida, as experiências e lições pelas quais deve passar nesta vida para cumprir seu propósito de evolução estabelecido antes de encarnar (de acordo com a lei de causalidade) e se está caminhando nesta direção. Quando se desvia da proposta, sucessivas situações negativas começam a afetar a pessoa de modo a impulsionar de volta ao caminho mais oportuno. Terapeuta e paciente podem, juntos, perceber esse alinhamento e alternativas para seguir em direção à proposta original.
A Terapia de Vidas Passadas (memórias profundas) cura doenças?
De acordo com estudos em diversas áreas, a maioria das doenças está relacionada a questões emocionais, mentais ou e espirituais. As doenças podem ser causadas por energias desarmônica originadas em vidas passadas mal resolvidas. Traumas e situações indesejáveis vividas no passado podem afetar a integridade física atual. A TVP (memórias profundas) atua no acesso aos conteúdos, desbloqueio das emoções do passado, análise dos padrões repetitivos e liberação das cargas psicossomáticas e estruturação do ser. Quanto mais abertura, confiança e dedicação ao enfrentamento das questões, tanto mais profundo é o trabalho e a liberação das cargas, o que resulta em melhoria dos sintomas ou a cura completa.
Há alguma possibilidade de ficar "preso" ao passado?
Quando se acessa arquivos da memória, não se retorna ao passado. O que acontece é um estado alterado de consciência, onde é possível experimentar novamente as emoções originadas em algum acontecimento passado, seja fisicamente ou apenas como uma visão na tela mental, de imagens, sentimentos e emoções retidas no tempo. Ao manter a consciência focada nos acontecimentos pretéritos, dá a sensação de "voltar ao passado". Como o paciente não vai, literalmente, para um lugar no passado, não há o que temer. É impossível ficar preso a uma situação no tempo/espaço sem ter ido para lá, de fato. Alegações de que o paciente pode não retornar da regressão, ficar preso em uma vida passada, ou a um estado desarmônico vivido em outro tempo, não tem base lógica e significa ignorância sobre o assunto.
A Terapia de Vidas Passadas (memórias profundas) é arriscada?
Assim como outras situações e procedimentos médicos oferecem risco por determinados fatores, da mesma forma, a TVP (memórias profundas) se for conduzida de forma irresponsável por uma pessoa sem adequada formação, pode criar uma situação de difícil condução. Um profissional qualificado é aquele que fez um curso especializado, pesquisou, observou muito e desenvolveu boa técnica. Também é importante que o terapeuta conheça a Doutrina Espírita, o funcionamento da mediunidade e obsessão e saiba lidar com os espíritos. Principalmente, saber a diferença entre sintomas causados por mediunidade perturbada ou obsessão; desarmonias geradas pelas personificações múltiplas, ativas; ou desarmonias causadas por lembranças traumáticas de passado, uma vez que ambas as situações podem ocorrer na sessão. Reações também podem acontecer pelo fato do inconsciente já está trabalhando nesse sentido, seja motivado por uma sessão de regressão ou por outra técnica qualquer. Neste caso, a ferramenta serve apenas como indutor daquilo que, inevitavelmente, seria trabalhado pelo psiquismo. É importante salientar que a experiência com TVP (memórias profundas) é guiada pelo Self, a parte consciente e absolutamente sábia do psiquismo humano, que conhece profundamente a necessidade e limitações de cada um e protege o Ser de situações difíceis de serem elaboradas. É bom salientar que, atribuir a algo externo as consequências dos desequilíbrios é negar a responsabilidade pelo que se cria e experimenta na vida. O tratamento não é recomendado para cardíacos, gestantes, pessoas com obsessão grave (como nos casos de pacientes psicóticos, agressivos, esquizofrênicos ou com TOC), nem para pessoas refratárias que não querem fazer o tratamento. Ainda, do ponto de vista da Doutrina Espírita, em hipótese alguma se faria regressão por mera curiosidade vazia.
Existe relação entre TVP (memórias profundas) e Espiritismo?
Algumas ideias e princípios são compartilhados pela TVP (memórias profundas) e pelo Espiritismo, como: pluralidade de vidas, lei de causa e efeito, vida após a morte, influência de personalidades espirituais, livre arbítrio, evolução, existência de um corpo espiritual e de energias corporais, consciência de que a pessoa não é apenas um Ser físico tendo uma experiência material, mas um Ser espiritual tendo uma experiência física.
Bibliografia:- As Várias Vidas da Alma, Roger Woolger- Psiquismo em Terapia, J.S. Godinho- Vida Passada à Uma Abordagem Psicoterápica, Morris Neterthon- Cura Profunda, Hans Tendam- O Livro Tibetano dos Mortos, W.Y.Evans-Wentz- Nascer, Morrer, Renascer, Cólia Resende- O Livro Tibetano do Viver e do Morrer, Sogyal RinponcheValéria Bastos é Terapeuta Holística desde 2004, formação em Florais de Gabriel, Massagem Ayurvédica, Terapia de Vidas Passadas com J.S. Godinho e Desenvolvimento de Memória Profunda, com Dr. Roger Woolger.


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